A edição de março de 2026 do Panorama do Comércio, publicado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), já está disponível. O desempenho da economia brasileira em 2025 confirmou um movimento de desaceleração já esperado pelo mercado. Dados oficiais do IBGE mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,3% no ano, abaixo dos 3,4% registrados em 2024. O resultado reflete os efeitos do ciclo de juros elevados, que impactou o consumo, o crédito e o ritmo de crescimento de diferentes setores.
A perda de fôlego foi mais evidente nos serviços, enquanto o agronegócio seguiu como um dos principais vetores de crescimento da economia.
O principal fator por trás da desaceleração foi a política monetária mais restritiva. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa básica de juros subiu 5,5 pontos percentuais, atingindo 15% ao ano. O encarecimento do crédito reduziu o consumo das famílias e os investimentos das empresas, com impacto direto sobre a atividade econômica.
Mesmo com a expectativa de início de cortes na taxa Selic, os efeitos não devem ser imediatos. A transmissão da política monetária ocorre com defasagem, o que indica que a economia deve seguir em ritmo mais moderado no curto prazo.
Tensões externas aumentam incerteza e pressionam inflação
O cenário global também adiciona complexidade à leitura econômica. O aumento das tensões geopolíticas recentes elevou o preço do petróleo, trazendo novas pressões inflacionárias e aumentando a volatilidade nos mercados.
Esse ambiente tem dividido as expectativas sobre o ritmo de queda dos juros no Brasil. De um lado, a desaceleração da economia abre espaço para cortes; de outro, os riscos inflacionários exigem cautela por parte do Banco Central.
Os primeiros dados do comércio em 2026 indicam um início de ano positivo. As vendas cresceram em janeiro tanto na comparação com o mês anterior quanto frente ao mesmo período de 2025. Ainda assim, o cenário exige cautela.
O desempenho pontual não é suficiente para confirmar uma tendência de recuperação consistente, especialmente diante de um ambiente ainda marcado por crédito restrito e consumidores mais seletivos.
Consumidor segue pressionado, apesar do emprego elevado
No lado da demanda, o quadro é misto. A confiança do consumidor permanece abaixo de níveis considerados otimistas, enquanto o endividamento e a inadimplência continuam elevados.
Por outro lado, o mercado de trabalho segue resiliente. Mesmo com desaceleração na criação de vagas formais, a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, sustentando a renda e evitando uma queda mais acentuada do consumo.
O cenário descrito pelo Panorama do Comércio aponta para um período de transição. O crescimento mais lento da economia exige maior eficiência operacional, enquanto a possível queda dos juros pode abrir espaço para uma retomada gradual das vendas ao longo do ano.
Para o varejista, isso significa equilibrar estratégia e prudência: aproveitar sinais positivos sem ignorar os riscos ainda presentes no ambiente econômico. Assista também ao vídeo abaixo com a especialista em Finanças da CNDL, Merula Borges, com a análise do Panorama do Comércio deste mês.